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Uma dor que dói muito é um pleonasmo comum no cotidiano, mas entender por que isso acontece ajuda a melhorar a clareza e a precisão da comunicação.
Por que “dor” e “dói” são repetidos
A frase “uma dor que dói muito” marca a repetição de elementos que já carregam sentido semântico semelhante, criando um pleonasmo verbal e nominal. A palavra dor já indica uma sensação dolorosa, enquanto dói expressa diretamente a ação de sentir dor. Quando combinadas, o verbo reforça o substantivo de forma redundante, embora isso aconteça naturalmente no falar e até enriqueça a expressão emocional em contextos informais.
Na prática, pessoas usam “uma dor que dói muito” para dar ênfase à intensidade da sensação, mas o correto, do ponto de vista linguístico, seria algo como “uma dor forte”, “uma dor intensa” ou simplesmente “dor intensa”. A repetição torna a frase mais longa sem acrescentar informações novas, caracterizando o que os gramáticos chamam de pleonasmo informativo, ou seja, verbalismo que não agrega significado, apenas estende a frase.
Consequências do pleonasmo na clareza e na fluência
Em redações formais, discursos profissionais e comunicações de precisão, o uso de “uma dor que dói muito” pode ser visto como imprecisão, já que o leitor ou ouvinte recebe a mesma informação duas vezes com palavras diferentes. Isso pode cansar a atenção e reduzir a fluência, especialmente em textos longos onde a clareza e a concisão são valorizadas. A economia de palavras ajuda a manter o foco na mensagem principal, sem distrações desnecessárias.
Para melhorar, pode-se substituir a expressão por formulações mais diretas, como “uma dor muito forte”, “uma dor intensa” ou apenas “dor intensa”, dependendo do tom e do contexto. Essas alternativas transmitem a mesma ideia sem repetir conceitos, mantendo a riqueza expressiva da língua portuguesa de forma mais elegante. A escolha por uma frase mais concisa não elimina a emoção, mas a comunica de maneira mais eficiente.
O uso criativo versus o uso inadequado
Em algumas situações, falar ou escrever “uma dor que dói muito” pode ser intencional, buscando criar ritmo na fala, expressar ansiedade ou reproduzir a fala espontânea de alguém. Em poesia, por exemplo, repetições podem ser usadas para reforçar o tom emocional ou criar musicalidade. Nesses casos, o pleonasmo deixa de ser um problema para se tornar um recurso estilístico consciente e planejado.
Porém, no cotidiano, especialmente em contextos profissionais, acadêmicos e jornalísticos, é preciso evitar esse tipo de construção para manter a credibilidade e a eficiência da comunicação. Reconhecer quando a repetição é apenas marca verbal ou quando transmite intensidade genuína ajuda a ajustar o tom e a forma como a mensagem é entregue. A clareza ganha espaço quando o texto ou a fala evitam expressões que não agregam valor real.
Como identificar e corrigir pleonasmos no português
Identificar pleonasmos como “uma dor que dói muito” exige atenção à relação entre substantivos e verbos que compartilham sentido. Outros exemplos comuns incluem “súbito desaparecer”, “ação reação”, “basicamente essa questão” e “retornar de volta”. A dica é verificar se o verbo ou adjetivo já está contido no substantivo ou se a repetição traz algo além de ênfase, como redundância desnecessária.
Para corrigir, pode-se usar sinônimos de intensidade, como intensa, forte,
A importância da revisão na comunicação eficaz
Revisar textos e fala é um hábito que pouca gente pratica, mas que faz grande diferença na qualidade da comunicação. Ao reler o que escrevemos ou gravamos, conseguimos perceber frases longas, ambíguas ou repetitivas, como “uma dor que dói muito”, e ajustar com mais naturalidade. Ferramentas de edição e até a leitura em voz alta ajudam a identificar esses problemas antes que cheguem ao público.
Desenvolver essa habilidade de autocorreção também melhora a autoridade e a confiança em apresentar ideias, seja em trabalho, estudos ou situações cotidianas. Substituir pleonasmos por termos mais precisos demonstra cuidado com a linguagem e respeito pelo tempo alheio, fatores que conquistam e engajam quem escuta ou lê. No fim das contas, menos palavras, quando bem escolhidas, podem dizer mais do que muitas repetidas.
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Conclusão
Entender que “uma dor que dói muito” é um pleonasmo é o primeiro passo para aperfeiçoar a forma como nos expressamos, equilibrando emotividade e clareza. Reconhecer a redundância ajuda a evitar desvios de foco e a transmitir ideias com maior eficiência, sem perder a riqueza emocional da fala ou do texto. Ao priorizar construções mais diretas, mantemos a intensidade necessária sem sacrificar a qualidade linguística.
Portanto, valorize a economia de palavras, use sinônimos de intensidade quando necessário e revise sempre o que escreve ou fala. Desse modo, a comunicação torna-se mais objetiva, elegante e eficaz, atendendo tanto ao sentido quanto à forma, e transformando pequenos deslizes linguísticos em oportunidades de clareza e impacto.