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Qual o símbolo da Umbanda é uma das primeiras perguntas que surgem para quem busca se aproximar dessa tradição espiritual rica e simbólica, pois cada imagem carrega uma história e uma energia específica dentro da fé.
As Raízes Simbólicas Da Umbanda
A Umbanda surge no Brasil no início do século XX, mesclando elementos de culturas africanas, indígenas e europeias, e isso se reflete diretamente na iconografia da religião. Os símbolos não são apenas decorativos, eles funcionam como uma linguagem sagrada que conecta os fiéis aos seus guias espirituais e aos ancestrais. Ao entender a origem desses desenhos e estatuetas, é possível compreender melhor a filosofia de caridade, justiça e evolução que define a Doutrina Espírita incorporada pela Umbanda.
Dentre as influências que moldaram a identidade visual da fé, destacam-se as tradições orais afro-brasileiras, que valorizam os cicatrizes e os objetos de poder, e as tradições católicas coloniais, que trouxeram imagens de santos e padrões ornamentais. A fusão dessas culturas criou um conjunto de símbolos da Umbanda únicos, que funcionam como pontes entre o mundo material e o espiritual. Essas representações auxiliam na concentração durante as sessões, materializando a intenção e servindo de foco para a energia mediúnica.
O Cruzado: Centro Da Mandala Espiritual
O principal simbolo da Umbanda é o Cruzado, representado pela famosa cruz formada por um círculo no meio. Este elemento geométrico é a base da maioria das estruturas rituais, aparece no chão das sessões e nos centros espirituais, formando a mandala onde a roda da vida espiritual acontece. O círculo simboliza a unidade e a eternidade, enquanto a cruz representa os quatro elementos fundamentais — terra, fogo, ar e água — e os quatro quadrantes do universo, fundamentais para o equilíbrio cósmico.
Além da estrutura física, o Cruzado também é um símbolo de proteção. Durante as sessões, os guias espirituais trabalham dentro dessa roda sagrada, criando um espaço seguro para que as energias sejam canalizadas sem interferências externas. Portanto, o Cruzado não é apenas um desenho, mas um campo de força espiritual que envolve e protege os participantes. Ter um Cruzado em casa, mesmo que em pequena dimensão, é comum entre os praticantes como forma de manter a conexão com a energia umbandista.
Os Arquétipos: Guerreiros, Crianças e Pretos Velhos
Enquanto o Cruzado estabelece o espaço sagrado, as figuras que habitam esse círculo são os Arquétipos, cada um com uma missão específica e um símbolo associado. Entre eles, destacam-se os Guerreiros, representados por imagens de militares ou caboclos, que protegem o centro e combatem energias negativas; as Crianças, que simbolizam a inocência, a alegria e os ensinamentos doutrinários; e os Pretos Velhos, que incorporam a sabedoria ancestral e a cura.
- Guerreiros: Imagens de soldados ou caboclos de armas cruzadas, símbolo de defesa e força.
- Crianças: Desenhos de meninos como Jesus, simbolizando a pureza e a fé.
- Pretos Velhos: Representações de senhores de branco, sinônimo de cura e sabedoria.
Esses simbolos da Umbanda são frequentemente retratados em baús, estatuetas e bandeiras, e cada um possui cores, mantras e histórias próprias. Ao estudar a iconografia desses seres, o praticante não apenas decora o seu espaço, mas também estabelece um diálogo constante com os espíritos que ali habitam, reforçando a fé e a disciplina espiritual.
A Cor Branca: A Essência Da Claridade
Quando se fala nos simbolos da Umbanda, é impossível não mencionar a cor branca, que domina a vestimenta dos médiuns e a decoração dos templos. O branco é a cor da pureza, da transparência e da conexão com a luz divina, representando a ausência de impurezas e a elevação espiritual. Usar roupas brancas durante as sessões é um ato de humildade e preparação, pois limpa o campo energético do médium para que ele possa operar com clareza.
Além da cor branca, outras tonalidades também carregam significados profundos dentro da liturgia, como o azul-claro para a paz e o verde para a esperança. No entanto, a cor branca permanece como a mais importante, pois remete à luz que ilumina todos os caminhos. Portanto, incorporar o branco na prática diária — seja através da roupa, velas ou objetos — é uma maneira poderosa de sintonizar-se com a energia positiva e protetora da Umbanda.
O Estatuto: A Presença Material Dos Guias
Além dos símbolos sagrados desenhados ou pintados, a Umbanda valoriza a presença física dos estatutos, que são as representações materiais dos Arquétipos e guias espirituais. Essas estátuas, geralmente confeccionadas em madeira, cerâmica ou outros materiais, são tratadas com grande reverência e carinho, sendo que muitos fiéis possuem um altar em casa dedicado a eles.
Cada estátua tem um significado específico e é escolhida de acordo com as necessidades e desafios de cada pessoa. Manter esses símbolo da Umbanda em casa cria um ambiente de paz e espiritualidade, servindo como lembrete constante dos ensinamentos e da proteção espiritual. Tratar esses objetos com respeito, limpando-os regularmente e acendendo velas em sua frente, é uma prática que fortalece o vínculo entre o fiel e seu guia espiritual, tornando a fé um caminho vivido e palpável.
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A Interpretação Pessoal E A Evolução Do Conhecimento
É importante lembrar que, embora existam significados estabelecidos para cada simbolo da Umbanda, a interpretação pessoal também tem um espaço sagrado. Cada indivíduo pode sentir uma conexão especial com uma figura ou cor específica, e isso deve ser respeitado dentro da jornada espiritual. A sabedoria umbandista é viva e dinâmica, permitindo que os praticantes aprofundem seu entendimento ao longo do tempo, através da vivência e da intuição.
Portanto, buscar conhecimento sobre a iconografia é um passo essencial, mas viver esses símbolos com autenticidade e amor é o que realmente constrói uma prática transformadora. Ao estudar as raízes, os elementos e as figuras da religião, o praticante não apenas decora seu espaço, mas também se torna um canal mais consciente e aberto para a ação dos espíritos. Compreender o que é cada símbolo é abrir a mente para a sabedoria milenar que flui através das tradições brasileiras.
Em resumo, o simbolo da Umbanda mais importante é o que ressoa em seu coração, guiando-o pelo caminho da luz, da caridade e do autoconhecimento, enquanto honra a rica tapeçaria cultural que originou essa fé única e poderosa.