Table of Contents
- Preservar e valorizar a cultura popular como patrimônio vivo
- Favorecer o desenvolvimento cognitivo e linguístico a partir de narrativas ricas
- Promover a cooperação, o respeito e a convivência em grupo
- Incentivar a criatividade, a imaginação e a expressão artística
- Construir identidade, pertencimento e respeito à diversidade
Trabalhar o folclore na educação infantil é uma estratégia poderosa para formar cidadãos curiosos, enraizados culturalmente e capazes de valorizar a tradição oral desde os primeiros anos de vida. Ao integrar histórias, cantigas, danças e brincadeiras populares no cotidiano escolar, as professoras e professores criam um espaço afetivo onde a imaginação infantil encontra sentido, identidade e respeito pelo saber coletivo. O objetivo de trabalhar o folclore na educação infantil transcende o entretenimento, pois visa construir bases sólidas para o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e cultural, estabelecendo pontes entre o passado e o presente.
Preservar e valorizar a cultura popular como patrimônio vivo
O primeiro objetivo de trabalhar o folclore na educação infantil é preservar e valorizar a cultura popular como patrimônio vivo e transformador. Ao apresentar lendas, mitos, cantigas de roda, festas populares e narrativas regionais, as escolas tornam acessíveis práticas culturais que poderiam desaparecer. Ao mesmo tempo, esse resgate ativo estimula o orgulho local e a confiança de quem vive essas tradições, mostrando que conhecimentos aparentemente “populares” têm sabedoria ancestral. Além disso, por meio de diálogos intergeracionais, como a escuta de avós e idosos, a criança compreende que a cultura é construída coletivamente e que sua memória pessoal está inserida em uma trama maior.
Na prática, isso significa selecionar conteúdos representativos de diversas regiões do Brasil, incluindo variantes étnicas, rurais e urbanas, para que todas as crianças possam se reconhecer e se sentir incluídas. O professor age como mediador, traduzindo a complexidade dos saberes populares para linguagens acessíveis, sem reduzir sua riqueza. Por exemplo, ao ensinar uma canção de roda, explica-se sua função social, seu ritmo, seus gestos e sua história, aproximando-a da vida real das crianças. Desse modo, o objetivo de trabalhar o folclore na educação infantil materializa-se na valorização de cada cantiga, cada dança e cada história como elementos constitutivos da identidade nacional.
Favorecer o desenvolvimento cognitivo e linguístico a partir de narrativas ricas
Outro objetivo de trabalhar o folclore na educação infantil é favorecer o desenvolvimento cognitivo e linguístico por meio de narrativas ricas em imagens, repetições, rituais e sons onomatopeicos. As estruturas pré-fabricadas das estórias populares ajudam a criança a prever acontecimentos, exercitando memória de curto prazo e capacidade de sequência. Ao mesmo tempo, a variedade de vocabulário — cheio de adjetivos coloridos, verbos de movimento e expressões regionais — amplia o repertório linguístico de forma natural e prazerosa. A interação oral, com perguntas, respostas e recriações de personagens, torna a aprendizagem ativa e significativa.
As professoras podem planejar atividades que explorem as facetas linguísticas do folclore, como:
- Roda de conversa sobre o que a criança já ouviu em casa sobre uma lenda;
- Produção de cartazes com palavras-chave retiradas da história;
- Brincadeiras de interpretação de papéis, que desenvolvem a fluência e a expressão oral.
O objetivo de trabalhar o folclore na educação infantil, portanto, inclui a formação de leitores críticos e falantes competentes, capazes de articular oralidade e escrita a partir de saberes populares bem trabalhados.
Promover a cooperação, o respeito e a convivência em grupo
As brincadeiras e cantigas de roda presentes no folclore são excelentes veículos para promover cooperação, respeito mútuo e convivência em grupo. Muitas delas exigem turnos, escuta ativa e sincronia, ensinando as crianças a esperar, a se organizar e a respeitar as regras do coletivo. Ao manipular instrumentos simples, dançar em círculo ou formar filas, o corpo da criança internaliza valores como paciência, solidariedade e alegria compartilhada. Essas atividades fortalecem a sensação de pertencimento à turma e à escola, reduzindo conflitos e construindo confiança.
O professor pode estruturar as atividades de modo que cada criança tenha protagonismo, convidando-a a ensinar uma brincadeira de sua família ou região. Isso valoriza a diversidade de origens e estimula a empatia, pois os alunos percebem que há múltiplas formas de brincar e cantar. O objetivo de trabalhar o folclore na educação infantil nesse sentido vai além da socialização: trata-se de criar um ambiente seguro para experimentar papéis, expressar emoções e resolver conflitos de forma lúdica, fundamentos para uma convivência saudável na vida adulta.
Incentivar a criatividade, a imaginação e a expressão artística
O folclore nutre a imaginação infantil ao expô-las a mundos onde seres mágicos, heróis corajosos e personagens engraçados convivem com situações inusitadas. Esse cenário convida as crianças a questionarem, a reinventarem histórias e a criarem novas versões, exercitando a capacidade de criar cenários, diálogos e finais alternativos. Ao produzir desenhos, teatro de bonecos, maquetes ou dramatizações a partir de elementos folclóricos, elas transformam a tradição em arte contemporânea, sentindo-se protagonistas da cultura.
O objetivo de trabalhar o folclore na educação infantil inclui, portanto, ampliar os horizontes estéticos das crianças, mostrando que a beleza pode surgir de elementos simples, caseiros e acessíveis. Ao utilizar materiais reutilizáveis, tecidos, tintas caseiras e sons produzidos com objetos do cotidiano, o professor demonstra que a arte não precisa de recursos caros para ser expressiva. A criatividade folclórica torna-se um convite à inovação, ao cuidado com o detalhe e à apreciação da cultura como forma de transformação do mundo.
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Construir identidade, pertencimento e respeito à diversidade
No âmbito mais profundo, o objetivo de trabalhar o folclore na educação infantil é construir identidade e pertencimento, ajudando as crianças a entenderem de onde vêm e a reconhecerem a importância de diferentes culturas. Ao estudar festas populares, roupas típicas, instrumentos musicais e modos de vida regionais, elas percebem a pluralidade do Brasil e a riqueza de contribuizes indígenas, africanas, europeias e outras. Isso forma cidadãos mais conscientes, capazes de dialogar com diferenças e de rejeitar preconceitos de forma lúdica e educada.
Planejar um trabalho interdisciplinar com o folclore — que una história, geografia, música, artes e ciências — permite abordar temas como migrações, meio ambiente e direitos humanos de forma integrada. O professor pode, por exemplo, comparar mitos de diferentes regiões do país, debater a importância da preservação de matrizes culturais e incentivar projetos comunitários, como visitas a museus locais ou entrevistas com idosos. Desse modo, o objetivo de trabalhar o folclore na educação infantil materializa-se na formação de sujeitos críticos, éticos e comprometidos com a justiça social e cultural.
Em síntese, o objetivo de trabalhar o folclore na educação infantil é multifacetado: preserva saberes ancestrais, desenvolve habilidades cognitivas e linguísticas, fortalece laços sociais, estimula a criatividade e constrói identidades pluralistas e respeitosas. Ao transformar a sala de aula em um território de descobertas populares, as educadoras e educadores dão às crianças ferramentas para interpretar o mundo, valorizando a cultura como fonte constante de significado, beleza e transformação.